PONTO DE PARTIDA

Não são verdadeiros desportivos, mas estão bem próximos. Mini Cooper e Peugeot 207 GT fazem a transição para as versões mais potentes.
De um lado, o histórico Mini Cooper de 1.6 litros atmosférico com 120 CV de potência. Renovado e com novos argumentos, este lendário modelo surge como uma porta de entrada no mundo dos verdadeiros desportivos, onde o “irmão” Cooper S (que ensaiámos na edição nº 304) está como peixe na água. Do outro lado, o Peugeot 207 GT, igualmente equipado com um motor de 1.6 litros, mas com turbo. Com uma forte herança desportiva (da qual fazem parte, por exemplo, o saudoso Peugeot 205 GTI ou o 206 WRC), esta nova versão do pequeno familiar francês assume-se como uma primeira abordagem da marca a uma área de acção onde, num futuro próximo, deverá reinar um ainda mais dotado 207 GTI. Na prática, ambos servem de entrada para um autêntico banquete. Resta saber qual deles abre mais o apetite para o prato principal.
CarroçariaEscolas diferentesPertencentes a escolas diferentes, Mini Cooper e Peugeot 207 GT não se podem envergonhar da qualidade de construção patenteada. No entanto, não podemos deixar de dar vantagem ao modelo representado pela BMW, fruto do seu aspecto mais robusto e do maior cuidado na montagem e nos acabamentos. É claro que há sempre um reverso da medalha e toda a imagem irreverente e dinâmica acaba por penalizá-lo em termos aerodinâmicos, devido às formas quadradas e à maior superfície frontal.Também é de lamentar que a remodelação do novo Mini, com um acréscimo no comprimento e na largura, continue a defraudar as expectativas na altura de viajar e de arrumar a bagagem. Com 160 litros de capacidade da mala, o pequeno Cooper mais não transporta que uma “malinha” de viagem. Bem mais generoso, mas sem ser referencial, o 207 GT oferece uns mais aceitáveis 270 litros.Repete-se a supremacia francesa na segurança activa, onde o Peugeot junta ao obrigatório ABS com repartidor electrónico de travagem, a assistência à travagem de emergência e os controlos de estabilidade e de tracção. O Mini relega estes últimos para a vasta lista de opcionais.
InteriorIrreverência MiniBasta entrarmos nos habitáculos para ficarmos rendidos ao desenho irreverente e diferente do Mini, que também tem melhores acabamentos e uma montagem quase sem falhas. Porém, só isso não chega, e mais uma vez o Cooper acaba por perder para o seu rival nos itens essenciais neste capítulo. Falamos, por exemplo, do espaço interior. Com um índice de habitabilidade de 9234 pontos, o 207 ganha clara vantagem sobre os muito limitados 9144 pontos do Mini. Contudo, é preciso referir que, tanto um como o outro estão longe de agradar. Basta referir que o Mini está abaixo, por exemplo, do Kia Picanto (9154 pontos) e o 207 pouco maior é que o seu irmão 107 (9204 pontos).Já no que concerne à segurança passiva são irrepreensíveis. Ambos contam de série com airbags dianteiros, laterais e de cortina. De igual modo, também tanto a ergonomia (no caso do Peugeot com bancos desportivos) como a visibilidade estão em bom plano. Com uma suspensão revista de forma a melhorar o conforto, o Mini não consegue ombrear com um rival que faz juz à tradição francesa e apresenta uma maior capacidade para filtrar as irregularidades da estrada. Uma sumpremacia que de estende à climatização, com o Peugeot a oferecer o ar condiocnado automático de série.
MecânicaA mesma baseResultado de uma parceria entre o grupo francês PSA e a BMW, os motores destes dois modelos partem da mesma base. Trata-se do novo bloco em alumínio de 1.6 litros de injecção directa a gasolina que, nestes intervenientes, é utilizado de forma distinta. Assim, o Mini opta por uma versão atmosférica de 120 CV, dotada do sistema de distribuição Valvetronic, que regula electronicamente a entrada de ar na câmara de combustão, abdicando da tradicional válvula tipo borboleta. Acoplado a uma caixa manual de seis velocidades com um engrenamento preciso, mas com um escalonamento longo, o Cooper é penalizado pelo facto de o binário de 160 Nm ser obtido somente acima das 4000 rpm, o que, por um lado, traz benefícios nos consumos, mas por outro, limita as prestações. Por sua vez, a Peugeot optou por introduzir um turbo de alta pressão que permite ao 207 GT oferecer uma potência de 150 CV e um binário de 240 Nm, constante entre as 1400 e as 3500 rpm. Um aposta certeira que se traduz num rendimento muito acima da média, como fica provado pela pressão média efectiva de 19,2 bar e pelo generoso índice de elasticidade. Só é de lamentar que a caixa manual, embora bem escalonada (mas irregular no manuseamento), seja de cinco velocidades.Alvos de alguns reajustamentos para beneficiar o comportamento, no caso do Peugeot, e o conforto, no caso do Mini, as suspensões cumprem a sua missão, havendo a realçar uma ligeira supremacia no esquema multilink traseiro, apresentado por este último.
Ao volanteQuase desportivosComo já deve ter percebido, o Mini Cooper e o Peugeot 207 GT não são verdadeiros desportivos. Mas isso não impede que estejam bem próximos dessa característica em termos de comportamento.Uma carroçaria bem delineada em termos estruturais e um centro de gravidade baixo conferem ao Mini uma agilidade impressionante nos percursos sinuosos. A ajudar à festa surgem, ainda, uma direcção bastante directa e uma posição de condução baixa, a fazer-nos lembrar o desempenho de um kart. Mais racional mas não menos empolgante, o 207 GT recebeu algumas mexidas fulcrais ao nível da carroçaria – amortecedores mais duros e uma maior rigidez do eixo de torção traseiro – e uns pneus de maiores dimensões (jantes de 17 polegadas). Uma união feliz que nos permite enfrentar cada curva com um grande à vontade, sabendo de antemão que podemos, ainda, contar com a ajuda dos controlos de estabilidade e de tracção (não se desligam acima dos 50 km/h).Olhando para os números das nossas medições (ver tabela), depressa chegamos à conclusão de que a diferença de potência e a inclusão de um turbocompressor jogam claramente a favor do 207 em termos de prestações, principalmente no que diz respeito às recuperações. Última nota para os eficazes sistemas de travagem, ambos abaixo do valor referencial de 45 metros.
Economia
Preço da imagem
O Mini é provavelmente um dos melhores exemplos da máxima “a exclusividade paga-se”. Com um preço demasiado elevado face ao equipamento proposto, o Cooper acaba por fazer sentir a força do seu nome no excelente valor de retoma (a desvalorização ao fim de três anos ronda os 33 por cento, enquanto o Peugeot perde 55 por cento). De igual forma, as visitas à oficina são também mais suaves para a carteira do seu proprietário. Assim, resta ao 207 GT conformar-se com uma relação preço/ /equipamento bastante mais vantajosa. Quanto aos consumos, não há novidade. Ambos estão bem acima daquilo que as respectivas marcas anunciam, com destaque, pela negativa, para o Peugeot, que não consegue baixar dos nove litros
Conclusão turbo
207 MAIS PRÓXIMOÉ incontestável que, para ser considerado desportivo, um carro deve brilhar em dois aspectos fundamentais, o motor e o comportamento. Assim sendo, o Peugeot 207 GT acaba por ser o que mais se aproxima deste espírito. Com a vantagem de oferecer uma melhor relação preço/equipamento e uma habitabilidade superior. Fazendo da imagem o seu porta-estandarte, o Mini é um carro de excessos. É irrepreensível em tudo o que tem a ver com o desempenho dinâmico ou com a qualidade de construção, mas noutros aspectos deixa muito a desejar, nomeadamente no preço, na habitabilidade ou nas prestações do motor de 1.6 litros.
Texto:Miguel Rodrigues
Fotografia:Adelino GonçalvesMetrologia:Miguel Gomes
Artigo publicado na Revista Turbo de Fevereiro de 2007
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